aftadesign

O mundo depois da superação última do design

Gostaria, e é o meu mais profundo e ardente desejo, de ver o último dos designers enforcado com as tripas do último artista. Pois só livres destes tiranos poderemos finalmente aspirar a viver uma vida de plenitude e satisfação, a ser verdadeiramente felizes. Só livre destes cães de fila do poder instituido poderemos voltar a tomar as rédeas das nossas vidas, inverter a perspectiva castradora da sociedade estratificada e começar todos a usufruir de um bem que por agora é apenas o privilégio de alguns: o quotidiano vivificante fundado nos nossos mais intensos desejos.

Tal como afta, que tanto representa a pequena ulceração das mucosas que insiste em dilacerar-nos de dor dias a fio como tanto é a representação fonética da palavra inglesa para "posterior", também o nosso jogo tem duas camadas de sentido: tanto queremos torturar meticulosamente a prática do design como torná-la um bem comum partilhado de forma igualitária e não hierárquica. Só os mais distraídos não entenderão que estas duas acções não só não são antagónicas como se completam perfeitamente: só destruindo e desmitificando por completo o design se pode ambicionar a sua propagação como ferramenta de emancipação do momento vivido. Tal como o modernismo se disponibilizou a um olhar crítico sobre si próprio, se esgotou com essa crítica e deu lugar ao pós-modernismo, a era do sujeito oscilante, também o design fará o mesmo até dar lugar ao pós-design, a era do designer sem ontologia, aquele aberto à diferença e sedento de experimentação. Este designer destemido e sem vícios doa descomprometidamente, produz um trabalho exuberante e auto-referencial e não o faz com nenhuma contrapartida. É o acto de criação pela criação em si, a dádiva como maneira de estar no mundo.

Estamos a presenciar a olho nú a desagregação total do espectáculo da representação pobre da vida, instigada pelas impediosas investidas das redes de comunicação horizontal, as mesmas que passam o acontecimento e o poder de volta para o nosso campo. São estas redes que nos dão os meios para operar esta inversão de paradigmas, aqui e agora. Pois agora somos nós que dominamos e criamos os media, e não o contrário. Somos nós que decidimos o que é relevante e somos nós que fazemos a cultura que consumimos. Acabaram-se os tempos em que a informação era controlada por uma elite tirânica. Agora fazemos nós a nossa própria história.

templates

Ajuda-nos a destruir o reinado tirânico do designer. Aqui vamos construir a maior base de dados de templates de sempre, pois o template, só por existir, põe em causa a própria actividade do designer. Queremos partilha, troca e comunicação multifacetada entre quem possui o conhecimento e quem o procura em vez de um discurso vertical e opressor que esconde a conservação das actuais relações de poder. O template não é visto aqui como uma fórmula pré-fabricada mas antes como um processo exposto, um abrir sobre o mundo.

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